terça-feira, 21 de outubro de 2008

Resenha: O Twitter como suporte para produção e Difusão de Conteúdos Jornalísticos (Gabriela Zago) - Atividade 20

O surgimento da Web 2.0, aquela que, além da interação, permite a participação do usuário, fez com que os formatos de comunicação digital sofressem alterações dependendo do uso que fosse feito deles. Um dos formatos digitais que mais permitem essa participação são os blogs, e como eles, os microblogs.

No blog, dependendo de quem o utiliza é como ele será apropriado e utilizado pelo seu usuário. Mesmo com um formato “padrão”, o conteúdo que é inserido dele faz toda a diferença na hora de classificá-lo como gênero. Dentro deste formato “padrão”, o que não muda é que as postagens nele são publicadas em ordem cronológica inversa, ficando sempre a publicação mais recente no topo da página.

No microblog, o que, segundo Zago (2008), o microblog pode ser considerado um blog “simplificado”, pois ele tem todas as características do blog, mas de forma bem simplificada. Dentro destas simplificações, a principal é o tamanho máximo permitido para cada texto. No Twitter, objeto do estudo discutido aqui, por exemplo, o texto pode ter no máximo 140 caracteres, mesmo número que uma mensagem de texto no celular.

A partir desta limitação de caracteres nos microblogs surge uma característica que os blogs não apresentam, que é a mobilidade na hora de publicar e receber o que é postado nos microblogs como o Twitter. Com um tamanho de 140 caracteres por mensagem, é possível usar o celular ou mensageiros instantâneos para mandar um texto e ele ser postado no microblog. Zago (2008) define duas características principais para o microblog: mobilidade e arquitetura aberta de informações. A primeira característica se dá, como já foi dito, a partir da possibilidade de usar o microblog em dispositivos móveis. E a segunda, é porque o microblog possui ferramentas de API4 abertas. Isso quer dizer que o usuário pode, além de utilizar o microblog, criar novas maneiras de utilizá-lo, como para atualizações de informações (ZAGO, 2008).

Com tantas possibilidades, o microblog, assim como o blog, passou a fazer parte do jornalismo digital, a partir da sua apropriação para isso. A partir desta informação, discute-se algumas características sobre o jornalismo em si, para a compreensão do seu formato nos microblogs.

Em seu artigo, Zago (2008) cita Melo (1994) para uma definição de jornalismo: “o jornalismo pode ser entendido como a produção e transmissão de textos noticiosos que interessam a um determinado grupo de pessoas difundidos periodicamente a partir de um suporte”. Sendo assim, o webjornalismo é o jornalismo que tem como suporte a web, e suas características como tal (hipertextualidade, velocidade, multimídia e as demais). Aliado à Web 2.0, o webjornalismo passou a ter a participação de pessoas comuns em sua utilização. À medida que ferramentas participativas se tornam populares na web, cresce também o webjornalismo participativo.

No Twitter, muitos dos seus usuários usam o site como meio jornalístico através da divulgação de notícias. Zago (2008) cita Bradshaw (2007) quando este propõe o modelo “news diamond”, o que significa que o primeiro passo para a notícia na web é a divulgação do acontecimento como uma alerta somente, uma atualização de que um fato ocorreu, utilizando-se para isto de poucas palavras (ZAGO, 2008), o que pode tranquilamente ser feito através de microblogs como o Twitter. O segundo passo para este modelo de diamante da notícia, seria a publicação da informação na íntegra, ou pelo uso da web ou impresso.

Zago (2008) lembra que uma forte característica da mobilidade do webjornalismo está em poder divulgar uma informação diretamente do local onde ocorreu o fato, devido aos dispositivos tecnológicos que não precisam ir até um computador para acessar à web e publicar na Internet. Estes dispositivos, como o celular, acessam a Internet em qualquer lugar e qualquer hora, o que dá imediatismo e velocidade para a notícia que é divulgada nos microblogs. Basta uma mensagem de celular para o mundo ter acesso às informações publicadas no Twitter, por exemplo.

Apesar de suas adaptações ao jornalismo, microblog não garante que as apropriações feitas dele para tal sejam características típicas do webjornalismo, já que depende de como ou quem faz uso de seu formato (ZAGO, 2008).

Ainda assim, o Twitter se destaca pelas apropriações que dele são feitas para o jornalismo, como as coberturas minuto a minuto, próprias para microblogs como ele. A possibilidade de utilização de hipertexto a partir da utilização de links leva o leitor a utilizar a atualização no Twitter como um ponto de partida para uma informação mais completa. Essa utilização ainda é discutida como uma forma de não adaptação para o webjornalismo no Twitter, já que as notícias não estão no Twitter, mas somente têm um ponto de origem ou são citadas nele. O G1 é um exemplo deste jornalismo que não é feito para o Twitter (ZAGO, 2008). O site de noticias utiliza o microblog para as manchetes de suas notícias já publicadas na página oficial de notícias. Assim, toda manchete no Twitter vem acompanhada de um link para onde as informações completas estão publicadas.

Já outras empresas se adaptam ao Twitter divulgando notícias em 140 caracteres. E aproveitam melhor o espaço por não utilizarem links para isso. Algumas empresas de notícias enviam SMS através do Twitter para os seus followers (seguidores no site), mais uma vez em um uso da mobilidade oferecida por ele.

Portanto, o uso do Twitter como ferramenta do webjornalismo vai além de responder a pergunta “O que você está fazendo?”. O jornalismo pergunta “O que está acontecendo agora?”. E os usuários do Twitter, sejam eles jornalistas ou não, respondem a esta pergunta diariamente em uma função permanente da interação participativa na web.

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